É do programa curricular do 8.º ano de escolaridade da disciplina de Geografia o tema “Cidades: principais áreas de fixação humana”. Entre outras metas, pretende-se que os alunos compreendam a organização morfofuncional das cidades, que distingam as suas funções, novas centralidades e a revitalização dos seus centros históricos, etc. Neste último período foi preciso que os meninos que quisessem melhorar as notas fizessem um trabalho escrito sobre um dos temas do currículo. Entramos no tema, recordamos conceitos operatórios e olhamos de novo a cidade onde vivemos.

Braga que é daquelas cidades que tem várias cidades numa só. Encontramos na net esta planta de 1976 em que estão delineadas as muralhas romana e medieval da cidade – ou o que se presumia ser o seu traçado, há cerca de 40 anos atrás.

muralha_romana_medieval copy.jpeg

Presumo que os dados hoje estejam actualizados. Cerca de 10 anos depois de desenhada esta planta, o Pelouro do Ambiente e Cultura da Câmara Municipal de Braga, apresentou uma proposta de salvaguarda e revitalização do Património Cultural construído no concelho de Braga. Uma proposta que oferecia à cidade alguns instrumentos adequados a uma acertada gestão urbanística:

  1. regulamento da classificação de bens culturais imóveis de valor local no município de Braga [de acordo com a Lei 13/85 do P.C.];
  2. sistema de incentivos à salvaguarda e revitalização do património cultural construído do município de Braga;
  3. projecto de institucionalização de um projecto municipal de salvaguarda e revitalização do património cultural construído do município de Braga.

Apesar disso, foram e continuam a ser feitas muitas obras à margem deste Regulamento que foi aprovado já há três décadas. Recordo apenas um caso, dos prédios adjacentes ao teatro romano da cividade, cimentados durante a noite para que não se vissem os vestígios arqueológicos e não fosse interrompida a obra.

AssMun

Já nem falo do que se passa em 2017 no centro histórico da cidade – apenas que também este executivo, tem SIM ao seu dispôr os instrumentos adequados para impedir que a cidade perca a sua identidade.

E estes objectivos do tema “Cidades” da disciplina de Geografia do Ensino Básico – compreender a morfologia urbana; mencionar possíveis soluções para os problemas das cidades;  revitalização, evolução e planeamento dos centros urbanos – passam a estampar a cidade de Braga como ilustração de um caso perdido, exemplo a seguir na teorização e a evitar na aplicabilidade da “coisa” – das ideias e do esforço que alguns fizeram um dia para que fosse bom viver em Braga.

Bem haja o arquitecto Luís Manuel Mateus, vereador do Pelouro do Ambiente e Cultura da C.M.B. em 1987, bem haja o geógrafo Miguel Bandeira, vereador da Regeneração Urbana, Património, Relação com as Universidades, Urbanismo, Planeamento, Ordenamento e Mobilidade, em 2017.
Da teoria à prática, é só um passinho. Leva tempo, mas Braga já tem os instrumentos adequados.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s